NBR 5674: o guia da manutenção predial obrigatória (atualizado 2024)

A NBR 5674 transforma a manutenção predial de um gasto que muita gente adia em uma obrigação técnica com peso legal. Síndicos e gestores costumam tratar a conservação do prédio como algo que pode esperar o próximo orçamento. 

A norma mostra o contrário: manter a edificação é um dever, e ignorá-lo cobra caro, tanto em segurança quanto em responsabilidade. Dois pontos deixam isso concreto. O primeiro é que a responsabilidade pela manutenção recai diretamente sobre o síndico e o proprietário. 

O segundo é que manter o prédio em dia está ligado à preservação das garantias da construção. A seguir, você vai entender o que a norma exige, quem responde por ela e como cumprir cada obrigação na prática.

O que é a NBR 5674

A NBR 5674 é a norma da ABNT que estabelece os requisitos para o sistema de gestão de manutenção de edificações. Em resumo, ela define como organizar, planejar e registrar a conservação de um prédio para que ele mantenha o desempenho, a segurança e o valor originais ao longo dos anos.

Essa é a essência da norma de manutenção de edificações: tratar a conservação como um processo contínuo e planejado, não como uma sucessão de consertos de emergência. Em vez de esperar o problema aparecer, a NBR 5674 orienta o gestor a antecipar as intervenções, seguindo um sistema organizado.

Vale destacar o alcance dela. A norma não se aplica só a grandes condomínios residenciais. Ela vale para qualquer edificação em uso, de prédios comerciais e escolas a plantas industriais e edifícios públicos. Sempre que existe uma construção que precisa durar e funcionar com segurança, existe a lógica da NBR 5674 orientando como cuidar dela.

Qual é a versão vigente e o que mudou

Antes de aplicar a norma, é preciso saber qual delas está valendo, e aqui mora um erro comum. Muito conteúdo disponível ainda se baseia na edição de 2012, já superada. A versão vigente é a de 2024, que cancelou e substituiu a anterior.

A linha do tempo ajuda a situar essa evolução. A norma surgiu ainda no fim dos anos 1970, passou por revisões em 1999 e 2012 e chegou à edição atual, de 2024. Cada atualização refinou a forma de planejar e documentar a manutenção, acompanhando o amadurecimento da gestão predial no país.

A mudança de maior impacto prático está no vínculo com a garantia. A edição atual reforça a conexão entre executar a manutenção corretamente e preservar as garantias do imóvel, em sintonia com a norma de garantias das edificações. 

Na prática, isso significa que negligenciar a manutenção pode fazer o condomínio perder o direito de acionar a construtora por defeitos. É um argumento que pesa tanto para o síndico quanto para quem entregou a obra.

Manutenção predial é obrigatória? O que a norma e a lei dizem

Chega a pergunta que gera mais dúvida: manter o prédio é uma escolha ou uma obrigação? A resposta exige uma distinção. A NBR 5674, como norma técnica, é de adoção voluntária. Só que essa voluntariedade não significa liberdade para ignorá-la.

Na prática, a manutenção predial obrigatória se sustenta em vários apoios legais. O Código Civil, no artigo 1.348, atribui ao síndico o dever de conservar e zelar pelas partes comuns do condomínio. 

Quando um acidente acontece, juízes, peritos e seguradoras recorrem à NBR 5674 como parâmetro técnico para julgar se houve negligência. Ou seja, a norma vira a régua que mede se o responsável cumpriu seu papel.

Existe ainda uma camada municipal. Diversas cidades brasileiras já aprovaram leis de inspeção predial obrigatória, também chamada de autovistoria, que exigem laudos periódicos sobre as condições do edifício. 

Somando o Código Civil, o uso jurídico da norma e as leis locais, a conclusão é direta: a manutenção deixou de ser opcional na prática, mesmo que a norma se apresente como voluntária.

Quem responde pela manutenção do edifício

A norma não deixa a responsabilidade solta no ar: ela distribui papéis claros entre todos os envolvidos. Entender essa divisão evita que tarefas importantes fiquem sem dono e que a conta caia sempre na mesma pessoa.

No topo da cadeia estão o proprietário e o síndico, responsáveis por garantir que o sistema de manutenção exista e funcione. A eles cabe organizar o plano, aprovar o orçamento e manter os registros em dia. Os condôminos e usuários também têm deveres, como usar as instalações de forma correta e comunicar problemas assim que surgirem.

Já as empresas contratadas respondem tecnicamente pelos serviços que executam. Nesse ponto entra um cuidado essencial. Serviços que envolvem segurança estrutural, elétrica ou de sistemas críticos exigem um responsável técnico habilitado, com a devida ART emitida por um profissional registrado no CREA. 

Contratar quem não tem essa habilitação fragiliza toda a cadeia de responsabilidade e expõe o gestor. Por isso, a escolha da empresa certa é parte do cumprimento da norma, não um detalhe à parte.

O que a NBR 5674 exige na prática

Sair da teoria e entender as obrigações concretas é o que separa um prédio em conformidade de um prédio em risco. A norma exige, essencialmente, que a manutenção seja planejada, financiada e documentada. Dois pilares sustentam isso.

O plano de manutenção e a previsão orçamentária

O coração da norma é o plano de manutenção. Trata-se do programa que reúne todas as atividades de conservação do edifício, com o que fazer, quando fazer e quem executa, combinando rotinas preventivas e as correções necessárias.

Esse plano não se sustenta sozinho: precisa de uma previsão orçamentária que garanta os recursos para executá-lo. Reservar essa verba com antecedência evita o improviso e o apelo a rateios de emergência. Um bom plano de manutenção predial equilibra exatamente essas duas pontas, o cronograma técnico e o financeiro.

Inspeções, registros e documentação

Planejar e executar não basta se nada disso for registrado. A norma exige inspeções periódicas para acompanhar o estado do edifício e um histórico documentado de tudo o que foi feito.

Essa documentação é mais do que burocracia: é a prova de que a manutenção realmente aconteceu. Diante de um sinistro ou de uma disputa judicial, o arquivo organizado de laudos, relatórios e serviços é o que protege o síndico e comprova a diligência da gestão. Sem registro, na prática, é como se a manutenção não tivesse existido.

Tabela de periodicidades: o que revisar e quando

Uma dúvida recorrente do gestor é a frequência de cada verificação. Embora a NBR 5674 organize o sistema, cada equipamento segue também sua própria norma e a recomendação do fabricante. A tabela abaixo reúne uma referência geral dos principais sistemas.

SistemaFrequência de verificação (referência)
Fachada e revestimentosAnual, com inspeção detalhada periódica
ImpermeabilizaçãoAnual
Reservatórios de águaLimpeza semestral
Sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA)Anual
Bombas de recalqueMensal a trimestral
ElevadoresManutenção mensal por empresa especializada

Essas frequências são um ponto de partida, não uma regra fechada. O ambiente mais agressivo de uma cidade litorânea, por exemplo, encurta os intervalos da fachada. Colocar essas rotinas em ação exige uma manutenção predial estruturada, capaz de seguir o calendário sem deixar sistemas para trás.

Manutenção não é inspeção: como a NBR 5674 se conecta às normas irmãs

Muita gente confunde manutenção com inspeção predial, e a distinção é importante. A manutenção, regida pela NBR 5674, é o cuidado contínuo do dia a dia. A inspeção é uma avaliação técnica pontual do estado do edifício, feita em intervalos definidos.

Essa avaliação tem norma própria. A NBR 16747 orienta a inspeção predial, que funciona como um check-up periódico e aponta o que a rotina de manutenção precisa corrigir. As duas se complementam: a inspeção diagnostica, a manutenção resolve e previne.

Outras normas completam esse sistema. O manual de uso, operação e manutenção, orientado pela NBR 14037, é o documento que a construtora entrega e que serve de base para o plano. 

A norma de desempenho, a NBR 15575, define a vida útil esperada de cada sistema. Juntas, essas normas formam o arcabouço que sustenta a boa gestão de um edifício ao longo de toda a sua existência.

Conte com a Construtora Guimarães para a manutenção do seu edifício

Cumprir a NBR 5674 é, no fim das contas, unir três compromissos: reconhecer a manutenção como obrigação, definir quem responde por ela e executar um plano documentado. Quem segue esse caminho protege a segurança dos usuários, o valor do patrimônio e a própria tranquilidade jurídica.

A Construtora Guimarães estrutura e executa a manutenção predial em conformidade com a norma, com equipe habilitada no CREA, inspeções técnicas e planos sob medida para cada edificação. 

Da elaboração do plano à execução das rotinas, você conta com quem responde tecnicamente por cada etapa. Para colocar a manutenção do seu edifício em dia e dentro da norma, fale com os nossos especialistas e solicite uma avaliação.

Guimarães Soluções Construtivas
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